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Oblomovismo enquanto potência

Uma versão reduzida desse texto pode ser encontrada aqui

É uma coincidência interessante que Oblómov tenha sido traduzido diretamente do russo em 2013 pela Cosac Naify. A excelente nova tradução de Rubens Figueiredo de uma obra de 150 anos demonstra como a literatura é capaz de recontextualizar e ser recontextualizada. Portanto, embora a análise mais superficial do romance encare a inação do protagonista uma caricatura do declínio da nobreza com o fim da servidão na Rússia, defendo que ela pode ser encarada como uma estratégia de potência estética e resistência política, colocando-o ao lado do consagrado Bartleby de Herman Melville.

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In Search of Semiotics – David Sless

Resenha de Keyan G. Tomaselli, tradução livre de Marcos Beccari

In Search of Semiotics (Em Busca da Semiótica) é um livro tão importante quanto controverso. Ele pode até mesmo interromper algumas das formas mais impenetráveis da semiótica, que aterrorizam os estudantes e acadêmicos. Basicamente, o livro é, nas palavras de Sless, uma “biografia semiótica”, isto é, sua própria trajetória neste campo: como o autor chegou a um acordo com a Semiótica, domou-a e tornou-a acessível aos não iniciados.

Sless captura este campo de estudos e reexamina os seus conceitos básicos. Segundo o autor, trata-se de uma atividade necessária, um retorno às raízes. No entanto, ao contrário de muitas outras teorias oriundas de uma variedade de disciplinas que há muito tempo esqueceram suas derivações, as quais remontam um baralho de cartas para reavaliações, Sless reafirma uma forma da Semiótica que continua sua intenção analítica inicial, livre de hegemonias textuais.

Sless não perdoa ninguém. Numerosos teóricos sagrados são derrubados um após o outro: o modelo de transmissão de comunicação, que equivocadamente assume a “troca” e o “compartilhamento”; o estruturalismo, que ignora o papel que os leitores projetados desempenham na estrutura dos textos; Roland Barthes e sua análise do discurso, que assumem o “compartilhamento” e a homogeneidade de leitores; o método de análise do discurso e a semiótica imperialista, que eliminam os autores e distanciam dos leitores o objeto de estudo; entre outros autores como Herbert Read. Entre as celebridades desafiadas por Sless, destacam-se are Judith Williamson, Umberto Eco, Michael Foucault, Brunsden e Morely, Jaques Derrida e Frederick Jameson, Terrence Hawkes, John Fiske e Stuart Hall. Se perguntarem por que Sless deixou de fora a Semiologia de Pierre Giraud, a resposta é que a tradução em inglês é temperada com os erros, contradições e obscuridades. O próprio Giraud começa seu livro com a mais simples das metáforas do modelo básico de transmissão. Nenhuma dessas abordagens, diz Sless, justifica as mentiras ou mal-entendidos ou até mesmo o próprio processo de comunicação em si. Leia mais…»