Posts taggeados com ‘romance’

Oblomovismo enquanto potência

Uma versão reduzida desse texto pode ser encontrada aqui

É uma coincidência interessante que Oblómov tenha sido traduzido diretamente do russo em 2013 pela Cosac Naify. A excelente nova tradução de Rubens Figueiredo de uma obra de 150 anos demonstra como a literatura é capaz de recontextualizar e ser recontextualizada. Portanto, embora a análise mais superficial do romance encare a inação do protagonista uma caricatura do declínio da nobreza com o fim da servidão na Rússia, defendo que ela pode ser encarada como uma estratégia de potência estética e resistência política, colocando-o ao lado do consagrado Bartleby de Herman Melville.

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O fim das ilusões

Texto originalmente postado sem edição no Animus Mundus

Vocês devem ter notado que o mundo está enlouquecido. Não digo isso partindo de uma nostalgia de que já foi melhor, nem de uma conspiração apocalíptica de que está para acabar. Este é o melhor dos mundos possíveis e o fim do universo ocorre a cada novo instante de vida. Mas, veja, o mundo está louco.

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re-laciona-mente-se

Anxiety is love’s greatest killer. It makes others feel as you might when a drowning man holds on to you. You want to save him, but you know he will strangle you with his panic. – Anaïs Nin

Há quem diga que a noção de “amor”, tal como atualmente é entendida e disseminada, resulta de uma invenção pseudo-literária burguesa chamada “romance” que, historicamente determinada, ganhou força com a massificação da imprensa e da alfabetização. É uma leitura válida, poucas leituras não o são. Daí alguém escolhe não mais viver no século XVIII, sentindo-se “esclarecido” por não assumir compromissos, o que não lhe impede todavia de criar um mundo cor-de-rosa-querido-pônei onde ninguém é de ninguém, onde não existe mais “recalque” e onde qualquer fidelidade não passa de arcaísmo e falta de autoestima. Pois bem. »