Posts taggeados com ‘romantismo’

Iluminismo e Romantismo como modos de pensamento: considerações éticas e epistemológicas

Iluminismo-m* Ilustram o post obras de Natalie Shau

Iluminismo e romantismo são dois termos que, embora bastante genéricos, desgastados e afeitos a interpretações equivocadas, colaboram ainda – e muito – para o desenvolvimento de algumas reflexões que gostaria de classificar como “éticas”.

Quem leu meu post anterior aqui no site, intitulado Design, moral e industrialização, já se deparou com a enorme quantidade de questões relacionadas aos termos iluminismo e romantismo. Muitos autores os utilizam para indicar movimentos de pensamento bastante restritos no tempo e no espaço (o Iluminismo, de meados ao fim do século XVIII, principalmente na França e na Alemanha; o Romantismo, do final do século XVIII a meados do XIX, principalmente na Alemanha e na Inglaterra). Outros porém – e eu sou um deles – utilizam os termos de maneira mais ampla para indicar certos modos de pensar. Leia mais…»

Design, moral e industrialização: prefácio a uma pesquisa

workAs referências à revolução industrial são bastante comuns quando se trata de pensar as origens do design como o entendemos hoje. Para muitos, o design – ou um tipo específico de design, o design como atividade moderna – emerge a partir da ruptura, promovida pela automação da produção, entre a atividade de projetar e a de produzir. Antes, o artesão seria responsável tanto pelo projeto quanto pela produção, e não havia uma separação clara entre essas duas atividades.

Concedamos que a atividade de projetar que hoje chamamos de “design” emerge, ao menos em parte, ligada às descritas mudanças promovidas pela revolução industrial. É preciso observar, contudo, que a automação da produção é apenas a condição material para a emergência do design como atividade moderna, e de maneira alguma pode oferecer dele uma caracterização satisfatória. Se queremos compreender de maneira complexa o desenvolvimento do design a partir da revolução industrial, temos que abandonar, portanto, as perspectivas materialistas reducionistas sobre suas “origens”. Leia mais…»

Da câmara escura ao olhar sem precedentes

* Resenha do livro Técnicas do observador: visão e modernidade no século XIX, de Jonathan Crary (Rio de Janeiro: Contraponto, 2012; coleção ArteFíssil). Texto originalmente publicado na Revista Clichê.

Ao retomar a prática do desenho, que deixei totalmente de lado na última década, tenho refletido sobre uma série de aspectos práticos e filosóficos da visualidade. Além do fato de que a expressão do desenho se conjuga no olhar que o antecede, conforme já comentei por aqui, percebi que desenhar, assim como ler, falar, dirigir ou tocar um instrumento musical, é uma habilidade que com o tempo se “automatiza”. Em geral, quase nos esquecemos de termos passado pelo processo de aprender a dirigir – um belo dia você se viu dirigindo ou tocando violão sem ter de pensar em cada movimento parar fazer isso.

Não significa que este processo seja fácil, muito menos que o aprendizado tenha fim. Sabe-se que, para muitas pessoas, desenhar é tido como uma tarefa árdua e dificilmente assimilável. Geralmente isso acontece porque tendemos a ver o que esperamos (e por vezes até o que intencionalmente queremos) enxergar, descartando alguns aspectos da coisa vista, acrescentando outros e, enfim, retocando-a subjetivamente. Em certo sentido, pois, aprender a desenhar implica trocar um hábito automático por outro, como um “treino” para enxergar não tanto o mundo visto, mas antes as coordenadas que nos permitem vê-lo. Leia mais…»