Posts taggeados com ‘século XIX’

Da câmara escura ao olhar sem precedentes

* Resenha do livro Técnicas do observador: visão e modernidade no século XIX, de Jonathan Crary (Rio de Janeiro: Contraponto, 2012; coleção ArteFíssil). Texto originalmente publicado na Revista Clichê.

Ao retomar a prática do desenho, que deixei totalmente de lado na última década, tenho refletido sobre uma série de aspectos práticos e filosóficos da visualidade. Além do fato de que a expressão do desenho se conjuga no olhar que o antecede, conforme já comentei por aqui, percebi que desenhar, assim como ler, falar, dirigir ou tocar um instrumento musical, é uma habilidade que com o tempo se “automatiza”. Em geral, quase nos esquecemos de termos passado pelo processo de aprender a dirigir – um belo dia você se viu dirigindo ou tocando violão sem ter de pensar em cada movimento parar fazer isso.

Não significa que este processo seja fácil, muito menos que o aprendizado tenha fim. Sabe-se que, para muitas pessoas, desenhar é tido como uma tarefa árdua e dificilmente assimilável. Geralmente isso acontece porque tendemos a ver o que esperamos (e por vezes até o que intencionalmente queremos) enxergar, descartando alguns aspectos da coisa vista, acrescentando outros e, enfim, retocando-a subjetivamente. Em certo sentido, pois, aprender a desenhar implica trocar um hábito automático por outro, como um “treino” para enxergar não tanto o mundo visto, mas antes as coordenadas que nos permitem vê-lo. Leia mais…»

O realismo e os “regimes de visualidade”

Um artigo meu, prolixamente intitulado O realismo entre as tecnologias da imagem e os regimes de visualidade: fotografia, cinema e a “virada imagética” do Século XIX acaba de ser publicado na revista Discursos Fotográficos. Trata-se de um texto já antigo, que apresentei em um congresso em 2009 e depois ficou parado até meados deste ano, quando resolvi revisá-lo e ampliá-lo para publicar em um periódico da área. Embora o considere interessante, reconheço que o texto é um pouco maçante, por isso vou tentar fazer um resumo dinâmico do artigo neste post.

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O além da técnica: imagem e morte do século XIX aos dias atuais

Show de fantasmagoria: espetáculo bastante em voga no século XIX (embora tenha começado já no final do século XVIII), na Europa. Quem viu o filme O ilusionista já sabe mais ou menos do que se trata – shows com fumaças, jogo de luzes, espelhos e, principalmente, imagens projetadas que pareciam fantasmas (ou fantasmas que pareciam imagens projetadas, nunca se sabe). Reproduzo a descrição que oferece Guilherme Sarmiento (2002):

Um espetáculo de Fantasmagorias utilizava-se de vários Fantascópios, cujas projeções, ora atrás de telas, ora na superfície vaporosa de gazes comburentes, cresciam e diminuíam conforme a proximidade do projetor, recheado de fantasmas e criaturas malignas. Tudo movimentava-se, avolumando-se, sumindo-se no ambiente sombrio da sala. Os seis assistentes contratados, além de cuidarem da coreografia das várias projeções, eram incumbidos de sonorizar o espetáculo- esvaziar baldes, para produzir som de chuva; sacudir sinos, para a chegada da Meia-Noite, dando maior dramaticidade à atmosfera fantasmagórica. Leia mais…»