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Fragmentos filosóficos #4 – Foucault sobre a prédica sexual

Foucault5Este é o quarto de nossos Fragmentos filosóficos, uma série composta por trechos selecionados e comentados, sob a curadoria de Marcos Beccari e Daniel B. Portugal. Em tempos de citações desgastadas na alternância de contextos, nosso propósito não se reduz à repetição de palavras, e sim a apresentar autores em suas próprias palavras. O trecho abaixo foi retirado do livro História da sexualidade I: a vontade de saber, de Michel Foucault (Rio de Janeiro: Graal, 1988, p. 13-14). Seleção e comentários de Daniel B. Portugal.

Alguma coisa da ordem da revolta, da liberdade prometida, da proximidade da época de uma nova lei, passa facilmente nesse discurso sobre a opressão do sexo. Certas velhas funções tradicionais da profecia nele se encontram reativadas. Para amanhã o bom sexo. [...] o que me parece essencial é a existência, em nossa época, de um discurso onde o sexo, a revelação da verdade, a inversão da lei do mundo, o anúncio de um novo dia e a promessa de uma certa felicidade estão ligados entre si. É o sexo, atualmente, que serve de suporte dessa velha forma, tão familiar e importante no Ocidente, a forma da pregação. Uma grande prédica sexual [...] tem percorrido nossas sociedades há algumas dezenas de anos; fustigando a antiga ordem, denunciando as hipocrisias, enaltecendo o direito do imediato e do real; fazendo sonhar com uma outra Cidade. Leia mais…

Projetando focinheira para vampiros

twilight-saga-scene-cutPassei os últimos meses (e ainda continuo) em verdadeira maratona intelectual, tentando dar forma a minha pesquisa de doutorado sobre diferentes modos de enxergar as possibilidades e motivações para controle dos próprios desejos. Aproveitando o sucesso estrondoso da Saga Crepúsculo, começo tal pesquisa com uma leitura da saga.

Imagino que todos os leitores saibam – requisito mínimo de erudição pop – que um dos pontos centrais da história é a luta de alguns vampiros para controlar seus impulsos. Edward, o vampiro galã protagonista, passa a maior parte de Crepúsculo tentando controlar sua sede pelo sangue de Bella, sua amada. A cada momento, ele tem de lutar entre seu desejo vampiresco de matá-la com um chupão sanguinolento e seu humano, demasiado humano, amor romântico que o impele a protegê-la e a fruir de sua doce presença. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XXXIX – Sexo e Design

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Eu já falei algumas vezes que Design é igual prostituição: uma profissão digna e respeitável (sem ironias) que exerce, antes de qualquer coisa, uma das mais belas atividades humanas. E não há nada de errado em cobrar por isso. O que me parece errado é transar com quem você ama e continuar acreditando que existe um propósito “funcional” para tudo. No entanto, assim como o Design, o sexo também pode ser pragmático: pode haver uma função ou utilidade (como procriação), sanar uma necessidade específica (carência ou stress), cumprir com determinados requisitos e métodos (anticoncepcionais, coito interrompido, ciclo menstrual) e até ser sustentável (sexo tântrico). E o que dizer sobre a masturbação ou a pornografia?

Para o psicólogo James Hillman (1989, p. 22), trata-se de uma “anestesia, como um tranquilizante enquanto você assiste TV”. Isso porque, se outrora a indústria pornográfica já esteve associada com as ideias de culpa, vergonha e fantasia, atualmente ela tem se tornado cada vez mais explícita, cotidiana e efêmera. Mas como isso se reflete em nosso comportamento e no design contemporâneo? Desde pequenos, somos treinados a saber, a alcançar e a fazer o que queremos fazer. Somos “independentes”, estimulados a caminhar com nossas próprias pernas e saber para onde estamos indo. Toda essa exigência, se não estiver relacionada diretamente com a pornografia e a masturbação, certamente favorece a famosa teoria freudiana da repressão do desejo sexual. Leia mais…»