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Fragmentos filosóficos #3 – Rosset e o nada

Este é o terceiro de nossos Fragmentos filosóficos, uma série composta por trechos selecionados e comentados, sob a curadoria de Marcos Beccari e Daniel B. Portugal. Em tempos de citações desgastadas na alternância de contextos, nosso propósito não se reduz à repetição de palavras, e sim a apresentar autores em suas próprias palavras. O trecho abaixo foi retirado do livro Lógica do Pior, de Clément Rosset (Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1989, p. 103, grifos no original). Seleção e comentários de Marcos Beccari.

Nomear é definir; definir é determinar uma natureza; ora, nenhuma natureza é. Nem o homem, nem a planta, nem a pedra, nem o branco, nem o odor são. Mas o que resta, além disso, para ornar o ser, uma vez excluídos da existência todos os seres designados pelas palavras? Existe “alguma coisa”, mas essa alguma coisa não é nada, sem nenhuma exceção, do que figura em todos os dicionários presentes, passados e por vir. “O que existe” é, pois, muito precisamente, nada. Nada, isto é: nenhum dos seres concebidos e concebíveis; nenhum dos seres recenseados até esse dia figura no registro do que o pensamento do acaso admite a título de existência. É forçoso, pois, excluir da existência a própria noção de ser. Exclusão que não releva de uma interdição de princípio, mas de uma constatação empírica: o que é excluído da existência não é, propriamente falando, a noção de ser, mas antes a coleção completa (e necessariamente provisória) de todos os seres pensados até o presente. Leia mais…

quando se fixa um centro, não se avista a circunferência.

Será preciso, primeiro, partir-lhes as orelhas, para que aprendam a ouvir com os olhos? – Friedrich Nietzsche, Assim falou Zaratustra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, p. 40.

Tem sido impossível arranjar tempo pra escrever porque estou me mudando para SP, mas antes que 2012 termine, quero registrar que eu AINDA acho que a confusão e o ruído (ao invés de clareza) podem ser bastante úteis no design.

A pergunta que marcou meu ano foi “por que não é preciso ter olhos para enxergar as coisas?”, quando eu explicava para alguém (não lembro quem) minha pesquisa de mestrado. A resposta foi algo como: veja, não é apenas uma questão de percepção, porque nem sempre existe um “eu” que enxerga as coisas. Leia mais…»