Posts taggeados com ‘Slavoj Žižek’

O desenho como Objeto e os Objetos do Desenho

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Uma hipótese para a solidão ou Como me oculto e me desconecto nas redes sociais

Annemarie_Busschers_holand_1-520x245Por uma incrível coincidência histórica, nossa liberdade individual aumentou consideravelmente quando houve um acréscimo de recursos; quer dizer, quando a sociedade de consumo surgiu. Torna-se trágico se analisarmos pelo viés contrário: justamente quando há um assomo na disponibilidade de recursos e oferta de produtos, opera-se um aumento visível na liberdade individual de cada ser humano.
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Profanações sem nome

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

O maior horror não provém daquilo que nos causa estranhamento, mas daquilo com o qual, estranhamente, nos identificamos.
– Alfred Hitchcock.

O termo em latim violentia, assim como o verbo violare (quebrar, romper), deriva do prefixo vis (força, vigor) e refere-se a uma aplicação de força, a uma passagem ao ato daquilo que potencialmente persiste num plano latente. O que me parece haver de mais instigante, indo direto ao ponto, numa reflexão sobre a violência é menos sua dimensão moral de (des)legitimação simbólico-social e mais sua dimensão ético-afetiva. Interessa-me perguntar de que maneira a violência oscila entre uma sensibilidade fundamental no registro intersubjetivo e uma banalidade anônima, discretamente apaziguada como terapia homeopática. Entre tirania ou barbárie de um lado e utopias redentoras do outro, irrompe um complexo embate de formas de vida concorrentes em seus ideais de realização. E da válvula de escape “amistosa” que proporcionam as redes sociais, bem como da canalização do tédio pela via do espetáculo esportivo, da teledramaturgia jornalística, da pusilanimidade dos games e da política teatral, instaura-se uma prerrogativa profana que se enuncia à medida que não é pronunciada: no que cessam as batalhas terrenas, irrompem as guerras imaginárias, que ganham mais força quanto mais são eufemizadas. Leia mais…»

Os interessados em salvar o mundo por favor, retirem uma senha no guichê e aguardem ao lado. Tenham em mãos uma cópia do RG autenticada e um texto de até 3 parágrafos com a sua definição clara do que de fato é esse mundo a ser salvo.

Mark T Simmons @ http://www.flickr.com/photos/marktsimmons/

Mark T Simmons @ Flickr

Senhora Neide, 64 anos, dona do único mercadinho do centro da cidade não-franqueado de alguma marca maior como Wal-Mart ou Carrefour e, por isso, um pouco menos frequentado, dada a baixa variedade de produtos disponíveis nas gôndolas e etc. Dona Neide, de acordo com seus últimos cálculos, estaria prestes a enfrentar a pior crise desde o temporal de 2008, que arrasou com metade do seu telhado e a fez despachar para o lixão todo o departamento de laticínios: as vendas estavam caindo. Seus clientes não se sentiam mais atraídos, passaram a avaliar seus preços como muito altos e a falta de um estacionamento grande era definitivamente o calcanhar de aquiles do pequeno mercado.

O que fazer? Neide, consternada, decide comentar sobre os cálculos e suas tabelas do excel com a família, em um churrasco de fim de semana. “Por que você não contrata um consultor, tia?” responde Renata, uma das sobrinhas, 22 anos, recém formada em publicidade. O que diabos é um consultor? “É um especialista em negócios. Ele vai visitar o seu mercado, fazer algumas perguntas e te dar umas ideias de como melhorar seus lucros!” Meu deus, como a senhora Neide não havia pensando nisso? Leia mais…»

Fantoches nem sempre alienados

* publicado originalmente no Formas do Consumo.

Tenho a impressão de que a maioria das discussões teóricas sobre consumo repete uma mesma parábola: era uma vez um cara chamado Marx que encarava a produção industrial como sendo o motor da história e o único campo legítimo de luta social – luta porque o mundo seria dividido em dois: quem manda e quem obedece.

Diante disso, consumo é o vilão da produção industrial e, portanto, aquilo que freia a história — consumir reduz-se a uma instância passiva de manipulação que nos faz querer coisas sem haver uma real necessidade de tê-las. Leia mais…»