Posts taggeados com ‘sofrimento’

Não Obstante #16 – Pensando a depressão

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Não Obstante #15 – Os sentidos do sofrimento

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Depressão: uma categoria moral

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Em seu livro A fadiga do eu, o sociólogo francês Alain Ehrenberg reflete sobre a depressão e a encara como uma das principais categorias atualmente utilizadas para pensarmos sobre nosso sofrimento. Estou pensando em termos de categorias, mas Ehrenberg está mais preocupado com a depressão enquanto tipo de sofrimento – um tipo específico de sofrimento impulsionado pelo ambiente social no qual o sujeito se insere. Para ele, tudo se passa como se o ambiente social impulsionasse diretamente certos modos de sentir que são posteriormente categorizados. Já em uma abordagem mais discursiva, como a que costumo seguir, a ênfase se coloca no modo como certas produções discursivas estruturam o ambiente social e direcionam certos modos de sentir.

A diferença, como se pode perceber, é sutil, e as duas abordagens se harmonizam em muitos pontos, especialmente na recusa à abordagem cientificista e a-histórica que pretende enxergar a depressão como um tipo universal de sofrimento, sempre igual a si mesmo e, assim, totalmente independente de construções discursivas ou organizações sociais. Nessa abordagem, a depressão aparece como uma espécie de entidade-causa do sofrimento: uma doença. Entretanto, é preciso ter clareza sobre o que a categoria “doença” significa nesse caso. Leia mais…»

Fragmentos filosóficos #6 – Schopenhauer sobre a condição humana

schopenhauer3Este é o sexto de nossos Fragmentos filosóficos, uma série composta por trechos selecionados e comentados (sob a curadoria de Marcos Beccari e Daniel B. Portugal), com a proposta de apresentar filósofos em suas próprias palavras. O trecho abaixo foi retirado do livro O mundo como vontade e como representação, § 57 (edição consultada: Trad. Jair Barbosa. São Paulo: Editora UNESP, 2005). Seleção e comentários de Daniel B. Portugal.

Querer e esforçar-se são [a] única essência [do homem e do animal], comparável a uma sede insaciável. A base de todo querer, entretanto, é necessidade, carência, logo, sofrimento, ao qual consequentemente o homem está destinado originariamente pelo seu ser. Quando lhe falta o objeto do querer, retirado pela rápida e fácil satisfação, assaltam-lhe vazio e tédio aterradores, isto é, seu ser e sua existência mesma se lhe tornam um fato insuportável. Sua vida, portanto, oscila como um pêndulo, para aqui e para acolá, entre a dor e o tédio, os quais em realidade são seus componentes básicos. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XXXVII – Sofrimento e Design

* texto originalmente publicado no Design Simples.

No filme O Cheiro do Ralo, o protagonista diz: “Deus criou o mundo, mas foi o homem que tornou o mundo confortável. O homem é o deus do conforto”. Por outro lado, o filósofo John Hick afirma em seu livro Encountering Evil (2001): “Um mundo em que não haja dor nem sofrimento seria um mundo onde não haveria escolhas morais e, portanto, nenhuma possibilidade de crescimento e desenvolvimento moral”. Frente ao dilema conforto x sofrimento, nós designers procuramos proporcionar mais conforto para as pessoas. Contudo, geralmente esquecemos que a ideia de conforto só faz sentido frente à sua ideia oposta: desconforto, dor, sofrimento.

Mas de onde vem a dor e o sofrimento? Teodiceia, que literalmente significa justiça de Deus, é uma teoria que tenta explicar isso. Santo Agostinho argumentava que Deus é intrinsecamente bom, mas o homem tem livre-arbítrio e pode escolher causar sofrimento – ou seja, a dor é entendida como um mal criado pelo próprio homem (pecado). No entanto, isso não explica o sofrimento natural causado por um câncer ou um terremoto. Alguém poderá dizer que este mal natural é punição ou consequência de pecados anteriores, mas isso contraria a ideia de um Deus benevolente já que muitos inocentes acabam sofrendo pelos pecados alheios. Leia mais…»