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Os interessados em salvar o mundo por favor, retirem uma senha no guichê e aguardem ao lado. Tenham em mãos uma cópia do RG autenticada e um texto de até 3 parágrafos com a sua definição clara do que de fato é esse mundo a ser salvo.

Mark T Simmons @ http://www.flickr.com/photos/marktsimmons/

Mark T Simmons @ Flickr

Senhora Neide, 64 anos, dona do único mercadinho do centro da cidade não-franqueado de alguma marca maior como Wal-Mart ou Carrefour e, por isso, um pouco menos frequentado, dada a baixa variedade de produtos disponíveis nas gôndolas e etc. Dona Neide, de acordo com seus últimos cálculos, estaria prestes a enfrentar a pior crise desde o temporal de 2008, que arrasou com metade do seu telhado e a fez despachar para o lixão todo o departamento de laticínios: as vendas estavam caindo. Seus clientes não se sentiam mais atraídos, passaram a avaliar seus preços como muito altos e a falta de um estacionamento grande era definitivamente o calcanhar de aquiles do pequeno mercado.

O que fazer? Neide, consternada, decide comentar sobre os cálculos e suas tabelas do excel com a família, em um churrasco de fim de semana. “Por que você não contrata um consultor, tia?” responde Renata, uma das sobrinhas, 22 anos, recém formada em publicidade. O que diabos é um consultor? “É um especialista em negócios. Ele vai visitar o seu mercado, fazer algumas perguntas e te dar umas ideias de como melhorar seus lucros!” Meu deus, como a senhora Neide não havia pensando nisso? Leia mais…»

Fissuras que se abrem a partir de um ponto sem perímetro

Resenha do livro Design sem fronteiras: a relação entre o nomadismo e a sustentabilidade de Lara Leite Barbosa

* texto originalmente publicado na Revista Pós (Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da FAU-USP), edição 34, dez. 2013, ISSN 1518-9554.

Interrogamos nossa experiência, precisamente para saber como nos abre ela para aquilo que não somos. Isso não exclui nem mesmo que nela encontraremos um movimento em direção àquilo que não poderia, em hipótese alguma, estar-nos presente no original, e cuja irremediável ausência incluir-se-ia no número das nossas experiências originárias. Simplesmente, quando mais não fosse para ver estas margens da presença, para discernir estas referências, para pô-las à prova ou interrogá-las, é preciso fixar de início o olhar sobre aquilo que nos é aparentemente ‘dado’. – Merleau-Ponty. [1]

É comum a sensação de morar numa cidade e, mesmo depois de anos, sentir-se turista nela. Nasci em São Paulo e no fim da adolescência me mudei para Curitiba, onde morei durante quase dez anos. Retornei a São Paulo para prosseguir com meus estudos, mas voltarei à Curitiba logo mais, para lecionar. Neste vai-e-volta, foi necessário desfazer-me de muita coisa, como móveis e eletrodomésticos. Pessoas e lugares mudam e são substituídos. Perdem-se alguns contatos, criam-se novos vínculos e mantêm-se algumas relações. No entanto, é preciso carregar algo não descartável, ainda que simbólico, ainda que impreciso. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XXIII – Insustentável Sustentabilidade

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Quando penso em Design de Produto, gosto de refletir sobre os guarda-chuvas. Para Flusser (2010), trata-se de objetos estúpidos (o que acaba sendo um infortúnio aos curitibanos): recusam-se a funcionar quando mais precisamos deles (quando há vento), são difíceis de transportar, dificultam o tráfego de pessoas na calçada e, não obstante, podem furar os olhos de pessoas distraídas. Além disso, não houve nenhum progresso significativo no design do guarda-chuva desde a antiguidade egípcia.

Flusser nos ensina que Gegenstand (objeto em alemão) significa algo que está contra, um estorvo ou obstáculo que foi lançado em nosso caminho (em latim obiectum, em grego probléma). O produto de Design configura então uma contradição: um obstáculo que serve para remover obstáculos. Depois que a chuva cessa, por exemplo, meu guarda-chuva se torna um grande estorvo para mim e para os outros. Aliás, um duplo estorvo: ele se torna problemático na medida em que há a necessidade de usá-lo. Na tentativa de sair deste círculo vicioso, o designer elabora um novo projeto, algo inovador, lançando um obstáculo diferente no caminho das pessoas. Mas como estorvar as pessoas o mínimo possível? Leia mais…»