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Elogio ao barroco: o trágico alegre

O mundo barroco, cujo nome surgiu de maneira depreciativa (pérola irregular, imperfeita), foi revalorizado em meados do século passado, bem menos por seu pensamento e mais por sua arte. As contradições interpretativas indicam as contradições que o caracterizam – não é de se espantar que Eugenio d’Ors, em sua conhecida obra Du baroque, propõe vinte e duas acepções para o termo “barroco”. De um lado, a historiografia clássica caracteriza o século XVII como sendo o “Grande Século” (expressão que Michelet atribui, porém, ao século XVIII), donde a pergunta é inevitável: “grande” por que, em relação a que e de acordo com quem?

De outro lado, o historiador alemão Heinrich Wölfflin, em sua obra Renaissance und Barock (século XIX), transforma o barroco em conceito anistórico que serve para designar o momento decadente em cada período da história da arte. Por sua vez, Benjamim (em Origem do drama barroco alemão) encontrou no período barroco a primeira manifestação de “esvaziamento” das imagens, uma vez que elas não mais irradiavam um sentido unívoco. Pretendo sintetizar aqui dois aspectos que, respectivamente às questões levantadas, considero interessantes no período seiscentista: a emergência de um “teatro filosófico” e, no que tange à visualidade, o fim do valor metafísico das imagens. Leia mais…»