Posts taggeados com ‘tempo’

A Divina Burguesia do Proletariado

neoliberalismoPartindo-se da Revolução Industrial , em meados do século XVIII, a utilização de tecnologias vem, progressivamente, acelerando e aprimorando os modos de produção de bens e serviços, mobilidade e comunicações, em todo o planeta. No decorrer desse tempo, iniciado por volta de 1760, a população mundial saltou de um bilhão para aproximadamente sete bilhões de habitantes, interligados mundialmente. Esse cenário provocou uma busca incessante por alimentos, fontes de energia e matérias primas diversas, e posteriormente, por mercados que pudessem absorver a escala industrial de produção, decorrente dessa nova realidade. Corporações locais ampliaram seu escopo de atuação, transnacionalizando-se, modificando substancialmente a cultura e o meio ambiente, através de um poder estrutural jamais conhecido e nunca antes tão concentrado, no decorrer da história do Homem sobre a face da Terra. Dessa forma, a dinâmica de ações correlatas a este poder estrutural, passou a causar, simultaneamente, benefícios, para um grupo cada vez menor de pessoas, e um ônus desproporcional, a um número cada vez maior de individuos. Leia mais…»

Refrações #003 – A modernidade líquida de Zygmunt Bauman

coverfdd_003_bauman Escute o podcast…»

A maior dificuldade do cínico é esconder dos outros a própria ideologia. A maior dificuldade do idealista, por outro lado, é continuar expondo o que pensa e jamais deixar transparecer a amargura do próprio cinismo

2711789618_7f6cee3778_oAconteceu: naquela fatídica tarde de outubro, a máquina do tempo apareceu, em meio a relâmpagos e trovoadas, no escritório da equipe de pesquisa e investigação do continuum espaço-tempo. Estupefatos, os cientistas largaram as canetas e pranchetas em cima da mesa e aproximaram-se lentamente do artefato, que ainda fumegava e disparava faíscas de uma antena em seu topo.

No fundo, o evento era esperado. Reza o paradoxo que, se houver alguma maneira de viajar no tempo, basta que esperemos até que um visitante do futuro apareça para nos ensinar a fórmula, visto que as condições tecnológicas serão muito mais avançadas. Perder tempo (!) com isso, hoje, é desnecessário: no futuro, teremos tempo (!!) e recursos para conduzir pesquisas mais eficazes e assim poderemos voltar no tempo (!!!) para ensinar os humanos do passado a viajar no tempo antes (!!!!) e assim ganhar mais tempo (!!!!!) ainda. Leia mais…

O homem mais velho do mundo é um polonês de 111 anos que mora nos EUA. Indagado sobre o segredo da sua longevidade, respondeu: “carne vermelha, cigarro de palha e sexo selvagem”. Admirados com a resposta, os pesquisadores perguntaram se ainda hoje ele mantinha tais afazeres inclusos em seus lides diários, mesmo com mais de um século de vida nas costas. “Não”, comentou. “A carne ficou muito cara”.

Stonehenge from the airPara explicar como funciona uma corrida de Fórmula 1, é necessário antes tentar explicar o conceito de tempo, já que ele é o principal fator a ser levado em conta na hora de ficar feliz ou triste no resultado de qualquer corrida.

Aqui por esses cantos da galáxia, a principal ferramenta para medir a quantidade de tempo que se passa é o número de voltas que nosso planeta dá em torno dele mesmo, e que ele dá em torno do sol, que é uma espécie de reator nuclear gigante que fica flutuando há 8 minutos na velocidade da luz daqui. Se a gente não pensar nessas duas coisas, ficaria difícil explicar o que é o tempo e teríamos que acabar fazendo como os povos antigos, que não tinham muita certeza de tais fatores e acabavam tendo que empilhar várias pedras grandes para descobrir se já tinha passado a hora do almoço ou não. “Hora” é o nome que se dá ao tempo que leva para assistir um episódio inteiro de um seriado como True Detective, por exemplo. Leia mais…

Narrativa, imagem e memória em La Jetée

La_Jetee_Poster* Este texto é uma contribuição de Amanda Rosetti — graduanda em Comunicação Visual e Design na UFRJ, Coordenadora de Conteúdo da CORDe Rio 2014.

Esta é a historia de um homem, marcado por uma imagem da infância. A intensa cena que o perturba, e cujo significado só compreenderia anos mais tarde aconteceu no terminal principal de Orly, o aeroporto de Paris, pouco antes do inicio da III Guerra Mundial.
– Chris Marker. La Jetée.

Christian François Bouche‑Villeneuve, mais conhecido como Chris Marker, foi um cineasta, fotógrafo, escritor e artista multimídia francês. Dentre seus trabalhos, podemos encontrar uma variada gama de formatos e suportes: livros, instalações, mídias digitais e mais de 50 filmes. Fascinado por imagens, pelo tempo, pelas formas diferenciadas de compor uma narrativa e principalmente pela memória, Marker foi um pioneiro do cinema experimental. Partindo de La Jetée, uma de suas obras mais famosas, abordarei neste post algumas dessas questões que norteavam a obra de Chris Marker. Leia mais…»

O deserto de areia de uma ampulheta rachada

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

O homem é um ator com uma única fala, que sobe ao palco, gagueja e se cala para sempre.
– Shakespeare, Macbeth.

Afonso tinha insônia. Só conseguia dormir quando tomava um remédio que o fazia perder a memória. Afonso teve que escolher entre viver sem lembranças ou morrer de insônia crônica. Aos poucos, com remédio ou sem remédio, a duração das coisas não faria mais sentido para ele.

Então decidiu passar o tempo só escrevendo. Por meio de inúmeros diários, Afonso anotava suas experiências cotidianas, ideias e lembretes, principalmente com relação à métrica do tempo que se passa no decorrer do desgaste acelerado de sua memória. Leia mais…»

O tempo das ocupações

É famosa a passagem de Santo Agostinho sobre o tempo na qual ele diz que se ao lhe perguntarem sobre o tempo, você tem uma idéia do que seja, porém se pedirem para  o definir ninguém sabe do que se trata. Apesar desse tom meio aporético que a questão do tempo nos provoca, sempre estamos nos movendo nele, seja de maneira consciente ou inconsciente, pois ao elaborarmos um plano de tarefas sempre o dividimos seja em horas, dias, semanas ou meses. Regularmente os mais organizados fazem isso escrevendo na agenda, colocando recados na geladeira ou até mesmo só  com o uso da memória. Assim, parece que o tempo condiz a um objeto no qual fazemos o seu manuseio de acordo com o nosso querer, será que o tempo é isso mesmo? Leia mais…

Filosofia do Design, parte XX – Dasein e o Design

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Hoje eu tomo a liberdade de falar de um assunto que me é recorrente nesta época do ano, quando meu aniversário está chegando: o Tempo. Lembro-me sempre do conceito de Dasein, proposto pelo filósofo alemão Martin Heidegger em seu livro Ser e Tempo (1927) e adotado como temática central em meu TCC. Heidegger trabalhava muito com a noção de ente, que significa um ser determinado (na forma e no tempo), uma vez que ser é um conceito atemporal e amorfo. Seguindo este raciocínio, o Dasein pode ser entendido como o poder-ser, isto é, uma possibilidade já predeterminada por seu fim.

Traduzindo, Dasein é aquilo que nos dá a sensação de presente, pois configura o nosso ser que retrovém ao ser lançado (passado) e advém ao poder-ser (futuro). Por determinar o presente, Dasein pode ser considerado um ente, mas pode também abranger o ser porque nos remete à morte, o fim que já somos e que anula toda subjetividade. O tempo, pois, se torna extático, sendo o êxtase manifestado no passado que, comprimido no presente, antecipa o futuro. Isso porque, na verdade, não há três tempos. O passado e o futuro são “dilatações” do presente, dando-nos a falsa sensação de sermos eternos. Leia mais…»