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Notas sobre o apolíneo e o dionisíaco

ApoloNo início de seu primeiro livro, O nascimento da tragédia (NT), Nietzsche nos apresenta o que ele caracteriza como dois impulsos estéticos: o apolíneo e o dionisíaco. Essas duas categorias, derivadas, evidentemente, dos deuses gregos Apolo e Dionísio, tornaram-se bastante famosas. Entretanto, o sentido delas na obra de Nietzsche não é tão simples de apreender quanto supõem aqueles que as utilizam de maneira solta.

A primeira aproximação proposta por Nietzsche é a do apolíneo com o sonho e a do dionisíaco com a embriaguez: “para nos aproximarmos mais desses dois impulsos, pensemo-los primeiro como os universos artísticos, separados entre si, do sonho e da embriaguez” (NT, 1). O apolíneo aproxima-se do universo onírico porque leva à figuração, à delimitação formal. Revelando-se mais intensamente nas formas mais belas, mais delineadas, o apolíneo nos leva a deter-nos na representação e na ilusão. O dionisíaco, por outro lado, aproxima-se da embriaguez porque transborda os limites da representação, misturando e arrastando tudo para o caos. Se, ao terror da dissolução do mundo das aparências, “[...] acrescentarmos o delicioso êxtase que, à ruptura do principium individuationis, ascende do fundo mais íntimo do homem, sim, da natureza, ser-nos-á dado lançar um olhar à essência do dionisíaco [...]” (NT, 1). Leia mais…»